sexta-feira, 31 de março de 2017

T2: Trainspotting AEEEEEEEEE PORRAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!!!!

Eu não fiquei vinte anos esperando por esse filme. Por incrível que pareça, eu era adolescente - criança, praticamente - na década de noventa, e duvido muito que tivesse idade para vê-lo no cinema. Na verdade, vi o primeiro Trainspotting em meados dos anos 2000, e dois ou três anos atrás revi, desta vez no cinema (recomendo muito ver no cinema todos os filmes que você puder, sempre que tiver oportunidade). Mas o que importa é que vinte anos depois Danny Boyle trás de volta o pior grupo de drogados que você despreza e responde o que todos nós já sabíamos: Spud torrou 4 mil libras em heroína. É lógico!


A estética e a forma de narrar do diretor continuam as mesmas. Assim como os personagens. Sick Boy ainda é um filho da puta arrogante e convencido - mesmo atolado em merda. Renton ainda acha que pode controlar a própria vida e fazer escolhas. Begbie ainda é viciado em violência e confusão. E sobre Spud já falamos. Mas Danny Boyle sabe que não pode refazer o filme, com uma versão mais envelhecida dos personagens. Acho que é algo que todos os diretores sabem quando vão dirigir continuações, mas nem todos tem competência ou coragem para fazer uma continuação que ainda assim seja um filme novo. Até porque, o mundo mudou, Endiburgo mudou, e os caras envelheceram. Assim o filme já começa mostrando os novos vícios do século vinte e um, as mudanças na tecnologia e na estrutura da cidade. 

Ainda que uma nova história deva ser contada e que não seja possível fazer um filme igual ao anterior vinte anos depois, muitos elementos ainda estão lá, como a escatologia - você fica um tempo achando o filme muito limpo, até que o Spud vomita dentro de um saco (duas vezes) - os personagens correndo e se envolvendo em brigas em momentos inusitados, coincidências que geram cenas absurdas e todo mundo se fudendo, claro. A cena em que os amigos tentam homenagear Tommy e lembram a morte do bebê acaba ficando marcada por cinismo e o resultado é um fiasco. Proposital, não podemos esquecer quem são esses caras. Fiasco. Essa é a definição do resultado dos vinte anos em que o grupo esteve separado, e igualmente o resultado da nova empreitada pra conseguir dinheiro. Cem mil, dessa vez. E quanto maior a altura, mais forte a queda.

T2: Trainspotting é altamente recomendado. Não tão ousado quanto o original, mas ainda uma ilha de autenticidade no mar do convencional. Destaque para a briga entre Renton e Sick Boy no bar, Spud relembrando uma cena emblemática do primeiro filme e para a nova versão do discurso "choose life".


Não sei o que será de mim daqui vinte anos, mas seria bem divertido voltar ao cinema para ver Begbie correndo atrás dos três com uma bengala!!!

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